sábado, 19 de novembro de 2011

SER AMOROSO

Uma das histórias mais fascinantes dos "Cavaleiros da Távola Redonda" mostra a importância da amorosidade.
Sir Gaiwan aceita se casar com Ragnall, uma mulher terrivelmente feia, em troca dela contar ao Rei um segredo que o salvará da morte. A boda se realiza e todo o reino sente pena desse formoso e valente cavalheiro que está se casando com uma mulher tão espantosa, tanto por seu aspecto quanto pelos seus modos.
Depois que os noivos se retiram a seus aposentos, ela sai para se despir enquanto ele se recosta na cama, preparando-se para cumprir seu dever conjugal com aquela pessoa tão terrivelmente feia.
De repente, por entre as cortinas aparece uma jovem maravilhosamente bela, "a mulher mais bela do reino."
Sir Gaiwan fica paralisado de estupor. "Onde está minha esposa?"- pergunta atônito.
"Eu sou sua esposa" responde a mulher. E então lhe conta como um malvado bruxo lhe fizera um feitiço que a convertia numa mulher repulsivamente feia.
"Agora, diz Ragnall a Gaiwan, podes optar. Como meu esposo, deves decidir se queres que seja bonita de noite, para seu prazer, mas feia de dia, sabendo que todos ficarão com pena de ti; ou bonita de dia, de modo que os demais te invejem, e feia de noite, o que não te apetecerá para o prazer. Qual das duas você escolhe? Você é quem decide."

Todo marido deve anotar isso, pois Sir Gaiwan prova sua sabedoria como homem e sua inteligência como esposo. Responde: "Não sou eu quem deve escolher. Quero que sejas da maneira que você queira ser. A opção é sua."
Com isto devolve a ela seu poder. Gaiwan não tenta decidir como vai ser a vida de Ragnall. Diz: Você é que tem o poder. É sua a escolha, não minha."
Com a retomada do poder pessoal, o feitiço do bruxo perde força e se desfaz e ela se converte em uma mulher bonita todo o tempo.  O respeito à autonomia de Ragnall a libera para ser ela mesma.
Isso para mim, é um comportamento amoroso. Devolve ao outro seu poder e honra sua integridade.
É apreciar o que é do outro, é gostar do outro.
É um comportamento que diz: Você é importante.
Quero te prestar honra por esta importância.
Quero respeitar tua autonomia.
Quero apreciar, como um tesouro, quem tu és.

Extraído de "The Call"

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