segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O INIMIGO MORA AO LADO... OU MELHOR, DENTRO


Dos opositores que vamos encontrando pela vida, os piores são aqueles confundidos com aliados, a quem damos tratamento preferencial, apertamos a mão, convidamos para dentro de nossa casa. Mas assim como o sujeito enganado por um "conto do vigário" tem sua parcela de culpa no crime, pois só foi lesado ao querer tirar vantagem de uma situação, só nos associamos ao opositor porque dentro de nós também habitam "opositores".
Quando pensamos que somos inteiramente bons e dignos, e vemos o Mal, em suas múltiplas manifestações, só do lado de fora, "nos outros", começamos a correr risco.
É muito comum vermos pessoas boas com caráter "missionário" afirmando serem vítimas de grandes injustiças e ingratidões. É comum também encontrarmos "psicólogos" de diversas categorias debruçando-se sobre os problemas dos outros, apenas como "truque" para não encarar os próprios. Na conjunção desses dois vetores acharemos algumas respostas para essa situação aparentemente ilógica e esdrúxula, exemplificada por uma piada ácida contada e recontada pelo meu pai:
"O João encontrou-se com o Antonio e lhe disse (fofocou) que o Pedro estava falando mal dele (Antonio) para todo mundo.
- Impossível! - respondeu convicto Antonio.
- Mas como? Eu estou lhe dizendo... O Pedro estava falando cobras e lagartos de você para todo mundo.
- Impossível! - repetiu, impassível, o Antonio.
- Mas por que você afirma isso com tanta convicção?
- Por quê?  Porque eu nunca o ajudei, nem fiz-lhe nada de bom.

Por muito tempo me repugnou a frase dita por um pai-de-santo e feiticeiro de origem indígena com quem convivi por muitos anos. "Se algum dia uma pessoa estiver com água até a boca e lhe estender a mão em busca de salvação, pise na cabeça dela".
Ao ouvir isso ri meio sem graça, achando que era brincadeira dele.  Durante toda a minha vida (profissional ou não) fiz exatamente o contrário do que me aconselhou e os resultados quase sempre foram péssimos: quando o "afogado" não tentava me puxar para um afogamento solidário, ele se tornava meu inimigo "por eu ter interferido no seu sagrado processo de afogamento".
O que na verdade o feiticeiro estava dizendo é o seguinte: ninguém chega a ficar com água até aqui (fazendo o gesto com a mão apontando para o nariz) por acaso.  Se quiser ajudar alguém em situação desesperada, reze por ele, jogue uma bóia, mas não lhe estenda a mão, nem o leve para dentro de sua casa.  Os desesperados podem ser sócios fatais, assim como os missionários-salvadores.

Mas, pior do que confundir opositor com aliado é não reconhecer o verdadeiro aliado, e tratá-lo como a um opositor.
Infelizmente não há mapas seguros e infalíveis para percorrer esse território com segurança.
A única saída é desenvolver uma luz interior.

Um grupo viajava pelas cidades da Europa, seguindo um mestre de sabedoria. Para não correr riscos desnecessários, todos se vestiam iguais, sendo impossível através das características externas distinguir o mestre dos discípulos.
Depois de pedirem chá ao dono de uma estalagem na qual entraram, viram pasmos o velho estalajadeiro ajoelhar-se aos pés do mestre e pedir-lhe a benção.
Dois discípulos se aproximaram do proprietário da casa para perguntar-lhe como havia reconhecido o mestre.
Olhe, respondeu emocionado o velho estalajadeiro, sou um homem simples e nada entendo dessas coisas do espírito.  Mas, ao longo desses anos todos já servi inúmeras xícaras de chá, e nunca vi ninguém que ao beber o chá o fizesse com tanto amor.
Essa capacidade de enxergar o brilho sutil por trás dos pequenos gestos, essa capacidade de "ouvir" a voz inaudível do EU INTERIOR, é o melhor e o mais confiável guia para reconhecer aliados e repelir opositores.    (Roberto Goldkorn, do livro O poder da vingança)

Um comentário:

  1. "Praticar a virgude é tão difícil quanto fazer um burro subir uma colina, enquanto que se envolver em qualquer atividade destrutiva é tão fácil quanto fazer rolar grandes pedras colina abaixo." (Dalai Lama)

    Matar um leão por dia.
    Essa é a missão árdua do ser que luta para não se deixar envolver pelo véu da cegueira da humanidade.
    O materialismo, a insatisfação, o egoísmo levaram ao sectarismo que enclausurou o homem .
    Qualquer ato de "generosidade" leva à desconfiança ou à exploração.
    Qualquer indivíduo com atitudes generosas é visto como "babaca".
    Diante da voracidade perniciosa da insensibilidade, que toma conta da humanidade , qualquer pessoa com aquelas características diferenciadas é tragada e atirada à margem da sociedade.
    As pessoas confundem cobra com corda enrolada.
    E, para satisfazerem seus desejos, sonhos, atingirem seus objetivos sacam quaisquer ferramentas, sendo capazes de passarem como trator ignorando o que está à frente.
    O primordial são os meus objetivos , o resto é resto.
    A ponto de se presenciar um indivíduo prestes a pegar um prato super quente e se ficar assistindo sem alertá-la, por auto proteção, para não se "envolver".
    Que se "ferre" , não sendo eu.....
    Afinal de contas, a "nova psicologia" defende que a própria experiência está acima da generosa orientação.
    Basta abrir os jornais e vermos o resultado dessa linha condutora.

    "Satisfazer nossos sentidos e beber água salgada são coisas semelhantes : quanto mais as fazemos, mais crescem nossos desejos e nossa sede." (Dalai Lama)

    Diante dessa pintura da humanidade, nos acuamos como cachorrinhos recolhidos pela "carrocinha" e nos enclausuramos em cubículos emocionais.

    "A vida exige diariamente ,mais de uma vez, que voce prove QUEM É, demonstrando QUEM NÃO É." (Neale Donald Walsch)

    Aprendi recentemente, assistindo a uma palestra de Divaldo Franco, que há dois tipos de pessoas na sociedade:
    - pessoas parede
    - pessoas ponte
    As primeiras,se colocam estáticas diante das circunstâncias da vida, alheias ao que transita diante de seus olhos para não se comprometerem, não se envolverem, não abrirem guarda e estenderem a mão.
    Estas são refratárias.
    As segundas transformam-se em meios para que seu semelhante possa transpor obstáculos emocionais ou materiais.
    Estão sempre abertas a oferecer ajuda.
    Como ele mesmo diz ,o princípio das pessoas pontes é fazer com que "o amor seja um bumerangue ao desenvolver o sentimento da fraternidade, da generosidade."
    Os extremos sempre nos conduzem ao perigo.
    O mundo é o equilibrio.
    O equilíbrio não é uma utopia mas é dífícil atirar-lhe o dardo .
    Assim também deve-se buscar o equilibrio entre a parede e a ponte.
    E, também ter por norma :

    "Quem ama verdadeiramente, nem sempre conive." (Divaldo Franco)
    Izil

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